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Agustina Comas: transformando resíduos em moda

A Comas produz peças por meio da técnica de “upcycling”, processo pelo qual produtos descartados são recuperados, transformados e recolocados no mercado. O elemento principal da marca, instalada em um galpão na zona oeste de São Paulo, são as camisas masculinas. “Todos os dias as fábricas rejeitam peças que não passam pelos controles de qualidade. Para nós, essa sobra é matéria-prima”, afirma a estilista uruguaia criadora da grife que leva o seu sobrenome.

O trabalho começa com a seleção das peças descartadas. “Identificamos os melhores tecidos e escolhemos aquelas que, a partir do nosso conceito de design, são as mais ricas”, completa Agus, formada em design têxtil e moda pela Escuela Universitaria Centro de Diseño de Montevidéu. Desde que a Comas foi criada, em julho de 2015, o trabalho evitou que mais de três mil metros de tecidos fossem jogados no lixo.

A ideia de trabalhar com resíduos das fábricas têxteis veio de uma percepção sobre o processo produtivo. “Fiquei paralisada quando comecei a pensar em todo o lixo gerado e no estrago que isso poderia causar”, diz Agus. “Este é um problema real que, se bem administrado, pode se reverter em recursos para muita gente. Como numa relação de simbiose, em que a indústria pequena estabelece um vínculo com a grande e todos se beneficiam.”

Autora de uma vasta pesquisa sobre upcycling, Agustina Comas já trabalhou com o estilista Jum Nakao e participou do desenvolvimento da icônica coleção “A Costura do Invisível”, de 2004. Entre 2008 e 2013 trabalhou como estilista na Daslu Homem na equipe da Lu Pimenta. A estilista também ministra workshops, palestras e consultorias para empresas que buscam repensar seus resíduos e processos produtivos. 

(Lígia Nogueira, novembro de 2017)