UM DESFILE PARA CELEBRAR A MULTIPLICAÇÃO BEFW 2019

COMAS convida marcas parceiras para apresentação colaborativa na terceira edição da Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo 

Muito além do que simplesmente fazer roupas, a COMAS têm se dedicado à disseminação de técnicas de upcycling desenvolvidas ao longo dos últimos anos com o objetivo de transformar a maneira de desenvolver e produzir a roupa, a forma como as pessoas a veem e como a consomem. Esse esforço para capacitar mais gente com o intuito de dar vida nova aos resíduos da indústria e o varejo de moda, se materializa agora no desfile da marca na terceira edição da Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo.

“Para mostrar esse trabalho coletivo convidamos outras marcas que participaram dos workshops da COMAS e de alguma forma se inspiraram em nosso método ou incluíram algumas ideias do nosso pensamento nos processos delas”, conta a estilista Agustina Comas. Ela selecionou peças das linhas de upcycling da Mai&Mai e Luci Hidaka, de São Paulo, e modelos produzidos pelas grifes de Florianópolis Armário Coletivo, Trama Ética e Soy Lúcida – estas últimas integrantes do programa Empreendedoras da Moda, um projeto do Instituto Lojas Renner criado para capacitar empreendedoras com o Método COMAS de Upcycling Raiz criado pela equipe da marca. 

O styling, assinado por Juliana Carvalho, foi desenvolvido a partir da composição de peças da COMAS com modelos das marcas parceiras e o conceito foi inspirado no próprio dia a dia das pessoas. “Na vida real não nos vestimos com peças de uma única marca. Por isso optamos por mostrar no desfile o uso das roupas misturadas, incluindo peças que já existem”, diz Agustina. Segundo a estilista, o objetivo era reforçar a ideia de que a roupa pode durar mais, desafiando a obrigação de sempre ter de trazer novidades, muitas vezes de maneira descartável, para o momento do desfile. “A provocação é justamente propor combinações diferentes com o que já temos.”

Seguindo essa lógica, a COMAS optou por usar apenas sapatos e bolsas garimpados nos armários da própria equipe e amigos. São modelos de amarrar, coturnos, todos fortes e robustos, que ajudam a contar a história, na passarela, dos workshops, oficinas e capacitações realizados nos últimos anos. A vestimenta de trabalho se traduz ainda em outros detalhes, como os lenços vermelhos inspirados nos cartazes da vanguarda dos primeiros anos da revolução soviética que retratam mulheres operárias, e peças feitas a partir das calças de sarja doadas pela Natural Fashion, marca de algodão orgânico da Paraíba. Para a construção do styling, foram também utilizadas como referências imagens do livro “DRESS LIKE A WOMAN, Working Women and What They Wore” e fotografias de Alfred Palmer, buscando mostrar com imagens, como essa nova moda preza pela valorização do trabalho em coletivo e da valorização da mulher na cadeia de produção. 

Ainda nesse universo, a trilha sonora assinada por Ana Helena Tokutake traz referências dos cantos de trabalhadoras, costurando coros de lavadeiras espanholas, sons industriais de tecelagem e a obra da cantora brasileira Clementina de Jesus.

Para trazer o espírito de trabalho coletivo entre mulheres, amigas e parceiras da marca foram convidadas para compor o casting.


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